Who no mundo

12-04-2015 11:22

Há não muito tempo falei de como Doctor Who é grande demais para ficar no seu próprio episódio e acaba por invadir outras séries, filmes, enfim, já faz parte de uma cultura mundial e é muito bem recebido.

Geralmente os grupos de fãs conseguem ser muito (muito muito muito) viciados nas séries, livros, filmes que acompanham. Doctor Who não é excepção, antes pelo contrário. A comunidade whovian é enorme e somos dos que mais atenção, carinho e dedicação temos quanto à série. As comunidades nerd são muito bem representadas por fãs de DW sempre com as suas fezzes, as suas bowties, os seus cachecóis, os seus chapéus e as suas sonic screwdrivers.

 

 

Andamos sempre atrás de mais um acessório, mais uma peça de merchandise que ficava mesmo bem com o resto da colecção. Não podemos ver uma coisa sem a querermos ver bem guardada na nossa posse. Ficamos de tal maneira embrenhados no mundo de Doctor Who que por vezes começamos a ver referências onde não as há, ou haverá?

O exemplo que me lembro com mais clareza foi aquando do anúncio da possibilidade de Peter Capaldi como o novo Doctor. Imensa gente foi investigar afincadamente nos recantos da internet por não conhecia o trabalho deste senhor além de Fires of Pompeii ou para simplesmente para se informar melhor de qual o passado daquele que poderíamos acompanhar desta vez na TARDIS. Qual não foi o espanto de muitos ao encontrar um dos papéis protagonizados:

 

fonte:  http://www.imdb.com/name/nm0134922/

 

Os corações pularam com mais vigor e verdade é que uma boa parte convenceu-se que era um sinal evidente de que serie ele o escolhido. Ainda andámos ali uns bons meses no vai não vai, quem será afinal o próximo Doctor e quando o dia chegou – depois de tanto que se falou – já não foi muita surpresa. Eu lembro-me de assistir ao evento de anúncio do novo Doctor e a ansiedade e expectativa dos fãs que estavam a seguir era qualquer coisa de muito especial! Superstição ou não mas o certo é que já há uma temporada que acompanhamos Capaldi e vamos lá ver quanto mais tempo teremos.

 

 

Mais recentemente estava embrenhada em artigos e eventos e uma data de coisas no mundo científico quando dou por mim a saltar vários parágrafos para ir a um sítio específico onde a minha visão periférica viu WHO. Isto aconteceu mesmo, o uso de maiúsculas ajudou à captação imediata pelo meu olhar e nem li nada do que estava antes. Neste caso era a sigla para World Health Organization mas apercebi-me de forma mais séria de que DW é capaz de ter algum peso (significante) na minha pessoa.

Depois há muitas mais que não fui eu que apanhei mas já vi várias pessoas a queixarem-se disto: James Paterson é um whovian que gosta de gozar com as pessoas. Sinceramente não sei se há confissão assumida mas para nós não precisamos de mais provas. Vejamos: The Big Bad Wolf, 11th hour, Don't Blink, estes nomes soam a alguma coisa? A mim também e como a nós a imensa gente que vê Doctor Who e depois dá com isso nas prateleiras das livrarias!

E digam-me se é só a mim que acontece encontrar TARDIS em cada canto. Por mais do que uma vez que estou a ver televisão e aparece uma porta azul com janelas e eu automaticamente paro tudo para ver se é realmente A TARDIS! Numa torre alta e iluminada com uma parte azul mais ao menos no centro aconteceu-me o mesmo. Pensei que tinha visto uma TARDIS a voar – de preferência para me vir buscar.

 

 

Isto tudo sem falar da influência que os próprios episódios e todas as historias que conhecemos deste mundo acabam por ter no nosso. Quem é que vê uma foto da Estátua da Liberdade da mesma maneira? Ou qualquer estátua que haja na rua, a bem ser. Quem é que consegue olhar para um corredor onde uma lâmpada está a piscar e não pensar que pode ser Vashta Nerada?

 

 

O mundo que nos rodeia passou a ser diferente para nós, passou a ter TARDIS perdidas (uma cabine telefónica mesmo que não do século XVIII tem sempre um charme qualquer), passou a ter elementos saídos de uma série que acaba por parecer tão real, tão possível de acontecer, mesmo com as suas viagens no espaço e no tempo.

Era engraçado que no nosso mundo aparecesse um Doctor, que nos viesse buscar para viver aventuras maravilhosas. Eu sei que vou continuar à espera. Nunca se sabe quando é que vou encontrar uma cabine telefónica que seja mesmo “smaller on the outside”.

 

Artigo da autoria de Júlia Pinheiro, membro da equipa Whoniverso